Passada a eleição, é hora de deixar a paixão de lado, tirar a maquiagem dos discursos e olhar para aquilo que as urnas efetivamente disseram. E, em Timon, os números de 2026 produziram uma fotografia política que merece ser analisada com atenção.
De um lado, Luciano Leitoa, político com longa trajetória: foi prefeito de Timon por dois mandatos, deputado estadual e deputado federal, além de carregar uma tradição política familiar construída também a partir da passagem de seu pai pela Prefeitura.
Do outro, Dinair Veloso, ex-vereadora e ex-prefeita de Timon, que deixou recentemente o comando do município e colocou novamente seu nome à prova nas urnas.
Quando os dois tiveram seus respectivos capitais políticos medidos em uma eleição estadual, o resultado em Timon foi de 4.166 votos para Luciano Leitoa e 3.556 para Dinair Veloso.
É aí que surge a comparação que chama atenção.
Socorro Waquim obteve 23.565 votos em Timon.
A diferença é expressiva: a votação de Socorro foi aproximadamente 5,7 vezes maior que a de Luciano Leitoa e 6,6 vezes superior à de Dinair Veloso.
E não estamos falando de uma política que estivesse ocupando a cadeira de prefeita ou exercendo mandato de deputada no momento da eleição.
Socorro já foi vereadora, deputada estadual, prefeita de Timon por dois mandatos e vice-prefeita. Sua trajetória é marcada por décadas de presença na vida pública e de contato direto com o eleitorado.
Há outro dado que ajuda a entender essa trajetória.
Depois de deixar a Prefeitura, Socorro voltou a disputar eleições e manteve presença significativa nas urnas. Em 2014, alcançou cerca de 14 mil votos para deputada estadual. Em 2018, já como vereadora, chegou a aproximadamente 18 mil votos na disputa para a Assembleia Legislativa.
Em 2026, chegou a 23.565 votos somente em Timon, em uma eleição marcada pela pulverização de candidaturas, pela disputa de vários grupos políticos e pela presença de nomes fortes buscando espaço no eleitorado local.
É justamente nesse ponto que entra o conceito de capital político.
Capital político não se resume ao cargo ocupado. Também não pode ser explicado apenas por sobrenome, estrutura partidária ou tempo de televisão. Em uma eleição, ele aparece — entre outros fatores — na capacidade de determinado nome continuar sendo lembrado e recebendo votos mesmo quando as circunstâncias políticas se modificam.
E os números de 2026 mostram que Socorro Waquim mantém em Timon uma base eleitoral expressiva.
Isso não apaga a trajetória de Luciano Leitoa, tampouco diminui a passagem de Dinair Veloso pela Prefeitura. São histórias políticas diferentes, construídas em momentos diferentes e submetidas a circunstâncias eleitorais diferentes.
Mas os números precisam ser considerados.
E os números de Timon colocaram Socorro em uma posição que chama atenção: 23.565 votos contra 4.166 de Luciano e 3.556 de Dinair.
Não é necessário transformar uma eleição em sentença definitiva sobre o futuro de ninguém. Uma eleição mede um determinado momento político, e alianças, conjunturas e circunstâncias podem mudar.
Mas também seria um erro político ignorar aquilo que as urnas acabaram de registrar.
A eleição de 2026 deixa, portanto, uma fotografia importante da política timonense: Socorro Waquim continua demonstrando capacidade de mobilizar uma parcela significativa do eleitorado local mesmo fora do exercício do mandato de prefeita e sem ocupar atualmente uma cadeira na Assembleia Legislativa.
Esse talvez seja o principal ensinamento dessa ressaca eleitoral.
Prefeituras mudam. Mandatos terminam. Alianças se reorganizam. Grupos políticos se dividem ou se recompõem. Mas uma trajetória construída ao longo de décadas pode continuar produzindo resultados nas urnas.
Socorro não precisou estar sentada na cadeira de prefeita para medir sua força eleitoral em 2026.
Os 23.565 votos obtidos em Timon são, por si só, um dado político que precisa entrar na conta de qualquer análise sobre as próximas disputas eleitorais do município.
Não significa dizer que uma eleição determina todas as próximas.
Significa reconhecer que, depois de décadas de vida pública, Socorro Waquim demonstrou em 2026 que ainda possui um capital eleitoral relevante em Timon.
A ressaca eleitoral passa.
Os discursos passam.
Os cargos passam.
As alianças mudam.
Mas os votos registrados nas urnas ficam para a história.
E, em 2026, as urnas de Timon deixaram um recado numérico que a política local não deveria ignorar.











