Luciano Leitoa tenta agora vestir a fantasia de defensor dos professores e dos recursos do FUNDEF, mas a memória política de Timon não pode ser tratada como algo descartável. Quem governou o município por dois mandatos, sucedendo um grupo político comandado historicamente por seu pai, Chico Leitoa, não pode simplesmente apagar o próprio passado e surgir como se fosse um “justiceiro” da educação pública.
Durante anos, o grupo Leitoa comandou Timon com poder absoluto. Chico Leitoa foi prefeito por dois mandatos e ainda fez sucessores. Luciano herdou essa estrutura política, administrativa e eleitoral. Teve força, maioria, apoio e controle da máquina pública. Portanto, precisa também carregar o peso das responsabilidades e dos escândalos que marcaram sua gestão.
E não foram poucos.
A gestão de Luciano Leitoa ficou marcada por denúncias graves envolvendo recursos da educação, especialmente os do FUNDEB. A Operação Topique, da Polícia Federal, revelou um esquema milionário de desvios ligados ao transporte escolar, justamente uma área que deveria ser fiscalizada rigorosamente pela administração municipal. O caso ganhou repercussão nacional e atingiu diretamente o núcleo político da gestão.
Enquanto estudantes da zona rural precisavam de transporte digno, recursos públicos eram alvo de suspeitas, contratos eram investigados e empresários ligados ao esquema acabaram presos. Alguns envolvidos seguem até hoje em prisão domiciliar. O empresário Luís Carlos, apontado como peça central do esquema, foi obrigado pela Justiça a devolver recursos públicos. O mesmo ocorreu com agentes ligados à gestão da época.
É impossível separar esse escândalo da responsabilidade política de Luciano Leitoa. O discurso de que “não sabia” ou “não fiscalizou” apenas agrava a situação. Um prefeito não é um espectador da própria administração. Se houve desvio, fraude e sangria de dinheiro público dentro de um setor estratégico como a educação, a responsabilidade política recai diretamente sobre quem governava o município.
Mais contraditório ainda é ver Luciano tentar usar agora o debate sobre os juros do rateio do FUNDEF como plataforma eleitoral para sua candidatura a deputado estadual. Soa menos como preocupação legítima com os profissionais da educação e mais como tentativa desesperada de reconstruir uma imagem desgastada pelas marcas de duas gestões consideradas por muitos como desastrosas administrativamente e politicamente.
Quem teve a oportunidade de governar Timon por oito anos e saiu deixando escândalos, investigações e desgaste na educação pública não pode querer posar de salvador justamente na área onde sua gestão mais colecionou questionamentos.
O povo de Timon sabe separar discurso de conveniência política. E sabe também que memória não se apaga com vídeos em redes sociais nem com narrativas ensaiadas em período pré-eleitoral.





