Uma interação aparentemente simples nas redes sociais entre o prefeito de São Luís, Eduardo Braide, e o ex-prefeito de Timon, Luciano Leitoa, acabou produzindo efeitos políticos imediatos — e nada discretos.
Ao comentar “Pra cima, meu deputado. Já já
estaremos em Timon!”, Braide não apenas sinalizou proximidade com Leitoa, como
também abriu espaço para que o ex-prefeito assumisse publicamente a dianteira
da articulação local. A resposta veio rápida — e calculada.
Em seu comentário, Luciano Leitoa foi além do
agradecimento protocolar: posicionou-se como peça central da chegada de Braide
ao município, falou em “nosso grupo político” e listou nomes que estariam
alinhados ao projeto, como Juscelino Filho,
Henrique Júnior, Leandro Bello e Soldado Leite.
O movimento, no entanto, não passou
despercebido — nem bem digerido.
Nos bastidores de Timon, aliados de Braide que
mantêm relação direta com o pré-candidato avaliam que Luciano se antecipou ao
tentar ocupar um espaço que ainda estaria em aberto. Entre esses, há quem
destaque que Henrique Júnior, por exemplo, possui interlocução mais consolidada
com o grupo de Braide, o que torna a tentativa de centralização por parte de
Leitoa um fator de desconforto interno.
Mais do que disputa por espaço, o episódio
reacende dúvidas sobre o peso eleitoral de Luciano Leitoa no cenário atual.
Desde 2020, o ex-prefeito acumula reveses que fragilizaram sua capacidade de
transferência de votos e seu protagonismo político no município.
Na eleição municipal daquele ano, sua
candidata venceu por margem apertada, em um cenário em que a soma das oposições
superava o total obtido. Já em 2022, o grupo sofreu derrota expressiva em
Timon, com ampla vantagem do governador reeleito. E, em 2024, veio um novo
revés: a derrota para o atual prefeito Rafael
Brito, seu próprio primo e ex-aliado político.
Esse histórico levanta questionamentos sobre o
cálculo político de Braide ao, ainda que de forma indireta, credenciar Luciano
como figura central de sua futura agenda em Timon.
Sem uma definição clara de comando local, o gesto do pré-candidato ao governo acabou antecipando um problema clássico de pré-campanha: a disputa interna por protagonismo. E, ao que tudo indica, em Timon, a “ciumeira” já começou — antes mesmo da campanha ganhar as ruas.



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